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Airton Lima Barbosa

Por Valdinha Barbosa

Vida E Obra

 AIRTON LIMA BARBOSA nasceu no Alto Dionísio, em Bom-Jardim, no dia 20 de setembro de 1942. Filho do poeta Manuel Alexandre Barbosa (Seu Manoel da Semana) e de Quitéria Nogueira, foi criado desde a mais tenra idade por Dona Chiquinha de Elói (Francisca Nogueira), sua tia-avó - uma excepcional mulher de grande força espiritual - de quem recebeu uma educação primorosa. Ainda criança, AIRTON já se destacava por sua inteligência brilhante e múltiplos talentos, que sua mãe adotiva, sem medir esforços, fez prosperar. Adolescente ainda, e já um exímio datilógrafo, trabalhou no Fórum de Bom-Jardim e apesar da imaturidade própria da idade, mesmo assim, se encantava com a defesa dos mais humildes realizada por um advogado ainda pouco conhecido à época, e hoje um conterrâneo ilustre, Francisco Julião.

 

As suas raízes musicais remontam ao tempo em que a Banda de Música do Grêmio Lítero Musical Bonjardinense, sob a batuta de Mestre Teté, brilhava como estrela de primeira grandeza a iluminar e alegrar as ruas ladeirosas da cidade, com as suas retretas e presença obrigatória em todos os importantes eventos da municipalidade. Nessa época, “ser da banda” - um privilégio apenas acessível aos rapazes - era a grande aspiração de grande parte dos jovens bonjardinenses. AIRTON, terceiro na escala dos 16 filhos de Seu Manoel e Dona Quitéria, foi quem, na família, desbravou os caminhos da arte dos sons, iniciando na família Barbosa, uma tradição musical que, nos dias de hoje, já alcança a terceira geração.

Madre Ódila Maroja

Através das Bandas de Música, a cidade de Bom-Jardim viu nascer talentos que engrandecem o seu nome e reafirmam o seu codinome de “A Terra da Música”.

 

Ao iniciar-se no saxofone aos 14 anos, sob a batuta de Mestre Teté (Manoel Pessoa dos Santos), AIRTON, pelo seu talento, despontava como uma grande promessa. E não decepcionou. Aos 15 anos, já se destacava como um dos principais músicos da cidade, tocando, compondo, fazendo arranjos. Aos 16 anos, depois de impressionar por sua virtuosística interpretação do solo (original) de “Vassourinhas” no programa “Salve a Retreta” da Rádio Jornal do Comércio, recebeu o convite da Madre Ódila Maroja, Superiora do Colégio Sant’Ana e do Dr. Mário Souto Maior, diretor do Ginásio de Bom-Jardim, para participar, em Recife, do “Concurso Jovens Talentos Musicais”, promovido pelo Ministério da Educação. Este concurso que teve como objetivo arregimentar, por todo o Brasil, jovens músicos para preencher vagas existentes nas orquestras sinfônicas do Rio de Janeiro, mudou irremediavelmente a vida daquele jovem bonjardinense.

 

Aos 17 anos, quando nem bem conhecia a capital pernambucana, viajou para o Rio de Janeiro, onde, vencedor do concurso em nível nacional, foi obrigado a mudar de cidade e de instrumento. Abandonando o saxofone, passou a estudar fagote com o francês Noel Devos, com bolsa de estudos do Governo Federal, dando início à sua promissora carreira musical.

No Rio de Janeiro, AIRTON, concentrou todas as suas energias em dar continuidade ao que já fazia em sua terra natal: deu vazão ao seu talento e à sua inteligência criadora, alçando, assim, através do estudo e de muito trabalho, lugar de destaque no cenário cultural carioca, não apenas como fagotista, mas através de outras atividades na área musical, jornalística, sindical e da cultura brasileira de um modo geral, aqui demonstradas em um breve currículo:

 

Aos 20 anos, através de concurso, passou a integrar, ao lado de seu professor, o fagotista Noel Devos,  o naipe de fagotes  da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, lugar onde permaneceu até o seu falecimento em 1980.

 

Aos 22 anos, como membro fundador do Quinteto Villa-Lobos, grupo que nascia com a finalidade de divulgar a música brasileira e, em especial a música de Villa-Lobos – realizou duas turnês pela América Latina, patrocinada pelo Itamaraty e gravou oito LPs. A partir de 1965, como dos primeiros conjuntos instrumentais brasileiros a mesclar a linguagem da música erudita com a música popular, o Quinteto, sob a liderança do AIRTON BARBOSA, passou atuar na área popular, apresentando-se ao lado de nomes consagrados da MPB como Edu Lobo, Nara Leão, Elis Regina, Roberto Carlos, Silvinha Telles, Baden Powel, Vinicius de Moraes, Paulinho da Viola, Paulo Moura, dentre outros. Com esses e outros importantes nomes da música brasileira, pelo magnetismo de sua personalidade, estabeleceu ao longo da vida, relações de amizade e de trabalho em favor da cultura musical de nosso País.

 

Estudioso contumaz, Airton foi profundo conhecedor da música brasileira – popular e de concerto – extremamente respeitado entre os seus pares da área de pesquisa em música, havendo para isso se preparado, através de estudos formais: curso de fagote e interpretação musical com Noel Devos; análise musical, com Ester Scliar e composição, musicologia e folclore, com César Guerra Peixe, nos seminários de Música Pro-Arte. Na área de pesquisa em música se notabilizou através da publicação de suas idéias em jornais e revistas especializadas, cursos, conferências, etc.

 

Além de fagotista, AIRTON foi autor e diretor musical de trilhas sonoras para o cinema, jornalista, produtor de discos, de programas para rádio, televisão e de espetáculos musicais, pesquisador de música brasileira dos mais conceituados, além de importante colaborador da classe dos músicos através de atuações na Ordem dos Músicos do Brasil, no Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro e como idealizador da COOMUSA, Cooperativa dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro, uma de suas últimas realizações.

Em todas as suas áreas de atuação – também integrou o naipe de fagotes da Orquestra Nacional da Rádio MEC - AIRTON BARBOSA foi incansável divulgador da música brasileira e deixou, ao falecer prematuramente, aos 37 anos, no Rio de Janeiro, uma profunda marca, em grande parte pelo importante trabalho de formação de platéias junto ao público brasileiro, em especial entre jovens e crianças através de Concertos Didáticos, realizado pelo Quinteto Villa-Lobos, onde atuou, com grande poder de comunicação, ininterruptamente por 18 anos, como principal liderança.

No alvorecer da manhã do dia 31 de maio de 1980, aos trinta e sete anos de idade, em conseqüência de um câncer no sistema linfático, AIRTON BARBOSA faleceu no Rio de Janeiro, deixando viúva a também bonjardinense Valdinha Barbosa e órfãos, ainda crianças, os filhos Juliano e Daniel. Como herança, deixou para os seus descendentes e demais membros de sua extensa família, o seu mais importante legado: o grande amor à sua terra natal e o sonho não realizado de, em reconhecimento, devolver a Bom-Jardim e, em especial aos jovens de sua terra, tudo o que dela recebeu, e que hoje vemos materializado através do PROJETO LEVINO FERREIRA. Um projeto que não apenas torna realidade o sonho de Airton Barbosa, mas de todos os bonjardinenses – músicos ou não – amantes da boa música cultivada como tradição nesta “Terra da Música e dos Pau d’Arcos.”

 

 

© 2016 por Juliano Barbosa & Maria Barbosa de França

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