
DEPOIMENTOS
UMA HOMENAGEM DE SEUS ALIADOS NA DEFESA DO MÚSICO E DA MÚSICA BRASILEIRA

.... “Sua inteligência privilegiada, sua curiosidade sempre alerta, seus dotes de instrumentista e de artista, permitiram- lhe adquirir em pouco tempo uma cultura sólida, profundos conhecimentos sobre o folclore e a música brasileira. Honesto, Franco, Leal, olhar claro e malicioso, um grande sorriso para todos, sempre pronto a ajudar esquecendo-se de si mesmo em prol da coletividade.”
Concerto “In Memorian” ao Airton promovido pelo museu Villa- Lobos.
Noel Devos
Professor, fagotista da Orquestra Sinfônica Brasileira

... “Em 1978, já no Rio, fui morar ao lado dele, no Jardim Botânico. Ai, então, diariamente estávamos Juntos. Talvez tenha sido o período mais fecundo, de minha vida, em termos de aprendizado, não apenas de coisas ligadas á música , mas também, da própria existência. ”
Antônio Carlos Athayde –
Trabalhou no ITAMARATY, embaixada do Brasil na Argentina.

.. ... “Airton pensava em tudo e em todos, menos nele. Era um grande brasileiro. Tinha um mundo ideal na cabeça e tentava, com o seu trabalho, tornar, esse mundo real.”
Sérgio Cabral – O Pasquim
Jornalista e Pesquisador

... “mas na realidade ouvirei somente da lembrança e da saudade o eterno duo. Que em surdina reverente, minhas chaves e palhetas cantarão.“
Ana Maria Scherer – (do poema: “O Fagote de Airton”)
Música , Poetisa, violista do Theatro Municipal do RJ.

... “Inútil pedir aos donos das pedras, que as retirem do caminho”, no entanto, calma e obstinadamente, tentaremos a retirada deles e delas, para o canto glorioso do ALELUIA...
Nelson de Macêdo
Compositor e Maestro, ex-presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro.

Sempre me surpreendeu a facilidade com que o Airton tocava fagote, fazia arranjos, produzia discos, seja erudito ou popular, e ainda se preocupava com a classe de músicos, principalmente os mais pobres e explorados.
Era um idealista dos mais puros que conheci. Quando me mostrou a importância da Cooperativa, e do trabalho de semear a idéia da cooperação, ao invés da competição e “jogadas ’’ para se dar bem ás custas dos outros, senti que devia participar e manter a verdade do seu objetivo.
Um catalizador e trabalhador incansável em busca da verdade, das grandes e honestas idéias, da defesa da nossa música brasileira, e contra os preconceitos musicais ou quaisquer que sejam, e acima de tudo um gênio reconhecidos por todos.
Lendo isso, você poderia pensar que estou exagerando, ou então: quantos Airtons existem que o nosso sistema, de altos lucros e de consumo, não aproveita, e até esmaga.
Mas eu posso dizer que existe uma diferença, o Airton não morreu para seus amigos, como escola e modelo de gente e vida, e um de seus ideais esta de pé, cada vez mais forte: A COOMUSA.
Francisco Mário
Músico, compositor, irmão do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho.

Silêncio. Por favor, não toquem seus instrumentos. Não abram suas bocas, não mexam seus corpos.
Silêncio.... Silêncio para que possamos meditar. Meditar no amigo que se foi, no som do fagote interrompido, na ânsia de viver e lutar que foi cortada. Silêncio. Silêncio para que , cada um de nós, ligados ao Airton Barbosa pelos laços da música e da lealdade, possamos fazer um balanço do que aprendemos com ele.
Silêncio. Silêncio para que consigamos encontrar a resposta de paz á pergunga desesperada que ainda ecoa nas orquestras e no nosso mundo cheio de notas, sons e...
Silêncio. Silêncio. Silêncio, porque nesta ausência já podemos sentir a presença espiritual. E ouvir o seu fagote. Dizendo coisas incríveis. Ensinando, ensinando , ensinando como somente os grandes Mestres podem ensinar.
Silêncio. Não toquem seus instrumentos. Não abram suas bocas, não mexam seus corpos.
Silêncio.
Ainda temos muito o que aprender com Airton Barbosa . Meditando. Em Silêncio. Que falem apenas alguns, para que digam em nome de todos o que nem todos podem dizer Silêncio. Silêncio porque Airton está mais vivo do que nunca!
Daltro de Almeida
Ex-spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira.
Projeto A
